Negacionismo: o avanço da desinformação


#ParaCegoVer [FOTOGRAFIA]: No centro da imagem, há um homem caminhando de cabeça baixa, enquanto no fundo há um grafite com a frase: “Qual lado da corda você tá?”. Entre a frase, de um lado dois profissionais da saúde (um deles utiliza uma capa de super-herói) e do outro o presidente Jair Messias Bolsonaro e um “homem vírus”. Fonte: https://www.instagram.com/p/CB3vs5QnT0R/?utm_source=ig_web_button_share_


Do francês (négationnisme), o negacionismo trata-se da negação da realidade e cientificamente é definido como a rejeição de conceitos básicos incontestáveis. Esse arranjo conversa com a situação brasileira de pandemia, pois diariamente a população é bombardeada por fake news e discursos controversos partidos de autoridades. Historicamente, essa onda negacionista teve diversas marcas que vão desde holocausto até a aids. O problema dessa atitude de rejeitar o incontestável é o seu impacto na sociedade: a desinformação.


No filme Negação (2017), dirigido por Mick Jackson, aborda-se uma história real em que uma historiadora (Deborah Lipstad) precisou provar na corte a existência do holocausto contra um biógrafo de Hitler (David Irving). Por mais emblemática que seja a narrativa, é de suma importância deslocar o olhar para o papel da mídia no enredo e como esses aspectos se espelham atualmente.


Para isso, é possível usar como referência a cena em que, após o primeiro dia de julgamento, há um display de chão em frente à uma loja, com a seguinte frase: “sem buracos, sem holocausto”, após o veredicto o mesmo muda para “Veredito do caso Irving: ele mentiu”. A batalha judicial da historiadora Deborah Lipstadt especialista americana no Holocausto , cujas afirmações foram questionadas por David Irving, um sujeito sem qualquer formação acadêmica , mas bastante arrogante, nos ajudam a entender a cena citada anteriormente, tendo em vista a forma que por muitas vezes a mídia age dando visibilidade a informações falsas e favorecendo um lado. O problema de dar ênfase à frente que está “ganhando” é que, por vezes, esta não é sinônimo de veracidade, o que ocorre justamente com a primeira notícia. Fora das telas, esse impasse também se implica a diversas esferas da sociedade brasileira que são autênticas, como a ciência.


O conhecimento baseado no método científico é a base para diversos avanços na área da saúde, alimentação e principalmente qualidade de vida. No entanto, essa narrativa que deveria estar à frente em momentos de instabilidade, como o de pandemia, fica em segundo plano dando espaço ao negacionismo que se fortaleceu com discursos e conspirações que não possuem fundamento e muito menos sustentação. As grandes massas que deveriam dar palco à estabilização, a coloca em segundo plano e consequentemente o negacionismo vai à frente, deixando a população confusa, dividida e desinformada. Além do mais, outro fato atual que contribui para a alta do negacionismo científico é que, nos últimos anos, as universidades sofreram uma série de cortes de verbas e bolsas de estudos. Esse fato contribuiu para que a sociedade duvidasse da produção científica nas instituições.


Edison Bueno, médico sanitarista e chefe do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em entrevista para o site Uol [1], declarou: "Mesmo compreendendo que devemos ter autonomia para tomar decisões, não cabe aceitar atitudes ou posicionamentos que vão contra o bem-estar ou, pior, colocam em risco a vida de todos", essa afirmação é importante porque o ceticismo generalizado parte de achismos particulares e colocam-se à frente de verdades públicas, atingindo a ciência e acarretando a desinformação. Assim, a ciência acaba sendo uma corda puxada de um lado para o outro, por dois lados diferentes, que, uma hora, acaba se arrebentando.


Pâmela Vitória

Graduanda em Letras (FFLCH) e bolsista do Projeto CineGRI Ciclo 2020-2021.


#Negacionismo #Ciência #Desinformação #Negação #Sociedade


Referências bibliográficas


[1] TESTONI, Macelo. Negacionismo prejudica não só a saúde como conquistas e avanços na medicina: Disponível: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/05/21/negacionismo-prejudica-nao-so-a-saude-como-conquistas-e-avancos-da-medicina.htm Acesso em: 21/05/2020, 04:00.

SOUKI, Nádia. Hannah Arendt e a banalidade do mal. Belo Horizonte: Ed. UFMG,1998.




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