YANOMAMI, O GARIMPO ILEGAL E O QUE NÓS PODEMOS FAZER PARA IMPEDIR

Que as redes sociais são poderosas e podem mudar a história todo mundo sabe. O documentário original Netflix, “O Dilema das Redes”, é uma denúncia pública sobre como somos influenciados o tempo todo por algoritmos presentes em redes sociais, que nos prendem em bolhas e incentivam diferentes tipos de comportamento, mas o que pouca gente sabe é que para além da forma negativa, podemos utilizar esses algoritmos de forma positiva ao dar voz a quem historicamente não tem, como é o caso dos povos indígenas e em específico o povo Yanomami.


#ParaTodosVerem: cartaz oficial da Netflix, demonstra um homem branco deitado em uma cama utilizando o smartphone, as luzes do quarto estão apagadas, a única fonte de luz da imagem provém do celular que cobre a face do homem, pode-se ver nitidamente apenas suas mãos segurando o aparelho. Imagem disponível em: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-280921/


Recentemente diversas denúncias surgiram em redes sociais e as hashtags “#OndeEstaoOsYanomami”, “#CadêOsYanomami” e “#SOSYanomami” ficaram em alta, trazendo pressão social às autoridades responsáveis e ao governo federal, artistas como Alok e Whindersson Nunes participaram do movimento e questionaram em suas redes socias pela presença dos Yanomamis.


Fonte da imagem: https://twitter.com/tesoureiros/status/1521457591628533760

#ParaTodosVerem: Print das “Tendências de Brasil” em uma rede social, onde se vê que no TOP 13 estava a hashtag “CadêOsYanomami” em letras garrafais brancas em um fundo preto.


Essa pressão social gerada pela alta da hashtag nas redes sociais trouxe voz para a comunidade indigena e expôs casos de abusos sofridos pelos Yanomami e causados pelo garimpo ilegal, como o abuso sexual de uma criança de 12 anos, o desaparecimento de uma criança de 3 anos e a fuga de uma comunidade composta por 25 pessoas por medo dos garimpeiros.


O garimpo ilegal destrói a floresta, traz doenças de brancos para a comunidade indígena, afasta os animais, polui a água e mata os peixes, em suma coloca todo o estilo de vida do indígena em ameaça e quando esse estilo de vida é destruido o que sobra para a comunidade é trabalhar forçadamente, em regime de escravidão, para o garimpo ilegal em troca de comida.


A estatística trazida pelo representante da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais em Roraima, Alisson Marugal, há mais de 20 mil garimpeiros ilegais nas terras demarcadas. Um dos motivos para essa explosão demográfica de garimpeiros é o aumento do ouro no mercado internacional, com a pandemia, e a crise interna nos Estados Unidos, os investidores decidiram investir seu capital em algo sólido e permanentemente lucrativo: o ouro. Acrescente a Guerra da Ucrânia e da Rússia, a alta da inflação mundial e a desvalorização do dólar e o que se tem é o ouro como uma das commodities que mais se valorizaram nos últimos anos, o ouro é segurança financeira em um mundo economicamente inseguro, mas ironicamente traz insegurança e devastação a povos indígenas inocentes.


Assim, o genocídio e o medo sofrido pelos Yanomamis é sinfônico ao de outros povos indigenas da região da Floresta Amazônia e datam desde o Brasil Colônia, o documentário “Martírio”, do diretor Vincent Carelli denuncia a invasão e finaliza com o novo genocídio implantado por reis do gado, soja e o garimpo ilegal.



Imagem disponível em: https://fundacaoculturalbadesc.com/cineclube-da-fundacao-badesc-exibe-o-filme-martirio-de-vincent-carelli/ #ParaTodosVerem: cartaz oficial da Fundação Cultural Badesc para divulgação de sessão especial do filme “Martírio”, no canto esquerdo da imagem há um índio em destaque, é possível ver seu rosto pintado de verde, com os olhos pintados de preto, utiliza um cocar com penas laranjas, verdes, brancas e marrons; há outros dois rostos indígenas ao fundo, também pintados, mas apenas com tinta preta. Há grandes letras garrafais brancas com o nome do filme e ocupam grande parte da imagem. Para além dos cinemas, a denúncia de violência contra os povos Yanomamis e indígena em geral pode ser feita por você, por nós, com o engajamento nas redes sociais: o uso de hashtags e comentários na web geram uma pressão social positiva e condicionam as ações do governo e de orgãos responsáveis, que podem fazer a diferença ao enviar proteção e trabalhar em políticas contra o desmatamento e garimpo ilegal. Para saber mais sobre o assunto e possuir dados estátiscos sobre a questão do garimpo ilegal e o desmatamento sites como da Hutukara trazem informações relevantes e verídicas acerca da questão indígena no Brasil, sendo o site Hutukara especializado na questão dos Yanomami.




Julia Lopes, graduanda em Letras - FFLCH, USP.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MARTINS, Thays. Menina ianomâmi de 12 anos morre após ser estuprada por garimpeiros. Correio Braziliense. 2022. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2022/04/5003316-menina-ianomami-de-12-anos-morre-apos-ser-estuprada-por-garimpeiros.html. Acesso em: 24/05/2022

A onda de invasões de garimpeiros que ameaça os Yanomami. Hutukara. 2022. Disponível em: http://www.hutukara.org/index.php/noticias/859-a-onda-de-invasoes-de-garimpeiros-que-ameaca-os-yanomami. Acesso em: 24/05/2022 Aldeia Yanomami é totalmente incendiada após denúncia de estupro de menina de 12 anos. Istoé. 2022. Disponível em: https://istoe.com.br/aldeia-yanomami-e-totalmente-incendiada-apos-denuncia-de-estupro-de-menina-de-12-anos/. Acesso em: 24/05/2022 Cineclube da Fundação Badesc exibe o filme Martírio, de Vincent Carelli. Fundação Cultural Badesc. 2022. Disponível em: https://fundacaoculturalbadesc.com/cineclube-da-fundacao-badesc-exibe-o-filme-martirio-de-vincent-carelli/. Acesso em: 24/05/2022 Cinco motivos para a maior valorização do ouro na história. E Investidor- Estadão. 2020. Disponível em: https://einvestidor.estadao.com.br/investimentos/ouro-cinco-motivos . Acesso em: 25/05/2022


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