Rosa e Momo (2020)


Foto publicada em 26 de outubro de 2020 |Copyright REGINE DE LAZZARIS AKA GRETA / Netflix.

Fonte: https://br.web.img3.acsta.net/r_1920_1080/pictures/20/10/26/14/12/1822118.jpg


#PraCegoVer [Fotografia]: a fotografia mostra ao fundo um grande lençol marrom e lençóis brancos, azuis e coloridos pendurados no varal e encharcados pela chuva. Mostra Momo (Ibrahima Gueye) e Rosa (Sophia Loren) parados na chuva, Rosa sentada e Momo em pé, curvado em sua direção. Momo usa um casaco camuflado e Rosa uma camiseta florida.


“Dizem que tudo já está escrito e que não se pode mudar nada. Quero mudar tudo. Quero voltar ao início, quando nada tinha sido escrito.” — Momo


Essa frase abre o filme e nos apresenta Momo (Ibrahima Gueye), um senegalês órfão que vive na Itália sob os cuidados de um velho médico e que por motivos fisicos se vê incapacitado de continuar com essa adoção. Momo então, passa a morar na casa de Madame Rosa ( Sophia Loren) que dá abrigo para filhos de prostitutas.


O filme, dirigido por Edoardo Ponti, filmado na Itália, aborda temas complexos como a prostituição, a transexualidade, a infância perdida, o tráfico de drogas e os traumas deixados por Auschwitz. Temas pesados e sombrios vistos pela ótica de uma criança solitária.


Momo é rebelde no início da obra e sofre atritos com Madame Rosa, que relutantemente o abriga em sua casa, mas incentivado pelo chefe do tráfico, Momo permanece com Rosa para não atrair atenção da polícia. Com o desenrolar, vemos Momo se envolvendo e crescendo no tráfico, sua felicidade é visível ao ser promovido dentro do sistema criminal e com o dinheiro recebido compra uma bicicleta, primeiro traço de infância apresentado.


Rotulado como ladrão, marginal e criminoso, Momo é uma criança solitária que não teve exemplos a serem seguidos. Do outro lado, há Madame Rosa, uma típica matrona italiana, sobrevivente de Auschwitz e com traumas de infância que aos poucos a corroem. Em fato, Madame Rosa não fala diretamente para Momo que é uma sobrevivente, mas os códigos em seu braço deixam evidente ao telespectador e, em determinado momento, ela cita sua estadia no holocausto, ficando satisfeita por aquela palavra terrivel não siginificar nada a Momo.


A obra é sensível, mostra as dificuldades enfrentadas por um órfão, negro, refugiado em um país estranho, completamente sozinho. A infância perdida é demonstrada na malandragem da rua e na exclusão sentida ao frequentar a escola, que deveria ser responsável pelo acolhimento, e o amadurecimento precoce de Momo ao ser consciente da maldade que existe no homem.


“Sou jovem e tenho toda a vida pela frente. Eu sei disso. Mas não ligo muito para a felicidade. Se aparecer, ótimo. Se não… foda-se. Não somos da mesma raça.” — Momo


Entretanto, mesmo com todas as mazelas e cicatrizes, Momo se identifica com Madame Rosa, criando uma relação de amizade e cumplicidade.


“É quando se perde a esperança que coisas boas acontecem. É reconfortante” — Madame Rosa


Forte, é a palavra que se associa a Rosa, lutando até o último minuto para se manter consciente. Rosa salva Momo de decisões ruins e Momo salva os últimos instantes de Rosa. Uma relação arrebatadora de confiança, amor e proteção.


Rosa e Momo é uma releitura do livro "A vida pela frente”, de Romain Gary, assinando como Émile Ajar. Assim como no livro publicado em 1975, Madame Rosa (Sophia Loren) é judia e sobrevivente do Holocausto. Momo (Ibrahima Gueye) é um imigrante e órfão. A relação que nasce a partir de vivências mútuas de desespero e desamparo é surpreendente. É retratada as dificuldades dos refugiados, a infância desgarrada, os traumas perpétuos. Rosa e Momo é mais que uma ficção, é o retrato da inocência e brutalidade contidos no mundo.


Filme disponível na Netflix.


Julia Lopes

Graduanda em Letras, na FFLCH - USP.


#infância, #refugiado, #itália, #RosaeMomo, #BlackLivesMatter




Referências bibliográficas:


A vida pela frente (GARY, Romain) MILANI, Robledo. Rosa e Momo. Papo de Cinema, 2021. Disponível em: <https://www.papodecinema.com.br/filmes/rosa-e-momo/>. Acesso em: 14/10/2021


A VIDA PELA FRENTE, Émile Ajar (Romain Gary). Todavia Livros, 2021. Disponível em: <https://todavialivros.com.br/livros/a-vida-pela-frente>. Acesso em: 14/10/2021.


ROSA E MOMO. Adoro Cinema, 2021. Disponível em: <https://www.adorocinema.com/filmes/filme-276295/fotos/>. Acesso em: 14/10/2021.


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