Eleições estadunidenses, voto feminino e as sufragistas


#PraCegoVer: [FOTOGRAFIA]: Na imagem há três mulheres em uma manifestação. À direita, duas seguram cartazes com as seguintes frases em ordem: ”Trump/Pence OUT NOW” (Trump e Pence fora já) e ”Fascism cannot be voted out, the people must dove it from power“ (o fascismo não pode ser eliminado, o povo deve retirá-lo do poder). As três mulheres usam máscara e uma capa de gorro vermelho. Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br/mundo/1708138/milhares-de-mulheres-saem-as-ruas-para-protestar-contra-trump-nos-eua


Em 2020, completou-se 100 anos da conquista do voto feminino nos Estados Unidos. Esse reconhecimento ocorreu na 19ª Emenda à Constituição pelo Estado do Tennessee em 1920. No ano desse centenário tão importante, ocorreram as eleições presidenciais dos Estados Unidos com a vitória do democrata Joe Biden (51,4%) e sua vice Kamala Harris (primeira mulher negra e asiática americana vice-presidente dos Estados Unidos, que durante sua trajetória trabalhou em prol dos direitos civis).


Para entender a importância desse centenário e seu impacto nas eleições estadunidenses, é importante falar do movimento social, político e econômico Sufragistas (1920), que conquistou o direito ao voto feminino. Esse movimento reivindicatório desenvolveu-se no contexto da chamada primeira onda do feminismo. No seu âmbito político, lutou pelo direito de votar e ser votada. Ele é muito bem espelhado na obra cinematográfica: As Sufragistas (Sarah Gravon, 2015), em que diversas mulheres iniciam um movimento que demonstrou a força através da luta pelo voto, e retratou mulheres ocupando juntas os espaços nos quais, neste período (1920), existia uma desigualdade provocada ou motivada pelo gênero.


Apesar desta grande vitória, passaram-se 100 anos para os Estados Unidos terem a primeira mulher vice-presidente do país (Kamala Harris). E, para chegar neste triunfo, o ano de 2020 foi marcado por diversas manifestações. As principais motivações para os protestos foram as falas maldosas e machistas do então presidente Donald Trump, que fizeram milhares de mulheres saírem às ruas para protestar contra tais declarações e posicionamentos sexistas, além de defenderem o direito das mulheres e minorias. Essa onda refletiu diretamente no clima acirrado de disputa à presidência dos Estados Unidos. O candidato do Partido Democrata à eleição, Joe Biden, abriu vantagem em relação a Donald Trump em pesquisas nacionais e em estados considerados chave, como Flórida e Pensilvânia.




Nos dados acima é possível notar que a porcentagem das mulheres que votaram no democrata Joe Biden é muito maior em relação à porcentagem masculina. Apesar das mulheres brancas terem votado majoritariamente em Donald Trump (55%), o número ainda assim é menor em relação aos homens (58%). Essa preferência expressiva feminina foi de suma importância para a vitória dos democratas e gerou agradecimentos da vice Kamala em uma de suas redes sociais com a seguinte mensagem: "Estou aqui hoje por causa das mulheres que vieram antes de mim". Além disso, a poucas semanas de sua posse, Joe Biden já estava cumprindo a promessa da campanha de ter o gabinete presidencial mais diverso da história americana ao selecionar representantes de minorias para cargos de destaque. O presidente eleito anunciou uma equipe econômica com mulheres que defendem preservar a renda dos trabalhadores, além do fato de a equipe de comunicação da Casa Branca ser formada só por mulheres.


O centenário do grande passo das concretizações do sufrágio feminino e das lutas enfrentadas pela igualdade foi importante e decisivo na disputa eleitoral estadunidense. Grande parte das mulheres votou no democrata Joe Biden e deixou viva a esperança por um Estados Unidos mais diverso, feminino e representativo.


Pâmela Vitória Nogueira S.

Graduanda em Letras (FFLCH-USP) e bolsista do Projeto CineGRI Ciclo 2020/2021.


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Notas e referências bibliográficas:


[1] MAHNCKE, J. Joe Biden e Kamala Harris: união das diferenças faz a força. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/joe-biden-e-kamala-harris-uni%C3%A3o-das-diferen%C3%A7as-faz-a-for%C3%A7a/a-54597627> Acesso: 24/01/2021 (17:00)

[2] SLIM, D. Milhares de mulheres fazem protesto contra Trump em 400 cidades. Disponível em: <https://istoe.com.br/milhares-de-mulheres-fazem-protesto-contra-trump-em-400-cidades/> Acesso: 24/01/2021 (17:12)

[3] DAVIS, Angela. Estarão as prisões obsoletas? Tradução: Marina Vargas, 2. ed. Rio de Janeiro, Difel, 2018.



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