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O direito à cidade e a luta pela educação!

O direito à cidade e a luta pela educação em “Espero tua (re)volta”

Geovanna Ribeiro Ferreira




Em 2015, ocorreu um plano para reorganização escolar pensado pelo governo de Geraldo Alckmin que tinha como projeção o fechamento de mais de 100 escolas públicas. A proposta não foi bem recebida pelos estudantes secundaristas, que tentaram um acordo com o governo e ao não terem suas demandas atendidas, ocuparam suas escolas.

Nesse contexto, foi gravado o documentário “Espero tua (re)volta”, dentro do movimento estudantil, produzido e narrado por adolescentes que não aceitavam suas escolas fechadas. O movimento estudantil cresceu e conseguiu derrubar a ordem do governador, se espalhou para o resto do Brasil e mudou a gestão de diversas escolas. 

Através da luta dos estudantes, é revelado um desejo de viver os espaços, e não apenas perpassar por eles. Na obra “Direito à cidade” de Henri Lefebvre, o questionamento sobre como o modo que se realiza a vida urbana pode ser visto na luta dos movimentos sociais, como a dos secundaristas. A partir da análise de Lefebvre, no espaço é possível ler a realidade e as possibilidades concretas de realização da sociedade, aqui mora a vida cotidiana e o lugar, e onde explodem os conflitos como uma consciência reveladora do processo de alienação atual. A negação ao direito de uma educação de qualidade vivida pelos adolescentes em 2015 e atualmente aqui é interpretada como parte de um projeto de afastamento do sujeito produtor da sua obra -a cidade- com um estranhamento. Para o autor, a crítica é o caminho da transformação. Primeiro a crítica à questão existente, depois o pensamento crítico deve indicar o caminho de passagem do fenômeno à análise, entender as questões em contradição que são capazes de orientar o mundo em direção ao futuro transformado. 

A crítica e a manifestação realizada pelos secundaristas revela uma resistência à construção de um mundo moderno que é determinado espacialmente pelas mercadorias, onde a cidade se transforma em mercadoria. A resistência deles revela uma projeção de futuro transformado, com sujeitos que buscam emancipação desse processo destrutivo.





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